SIADE e Pardal: saiba onde denunciar fake news e propaganda irregular nas Eleições 2026

Justiça Eleitoral oferece canais diferentes para combater desinformação e propaganda irregular. Entender a função de cada um ajuda o cidadão a denunciar corretamente.

Com a campanha eleitoral nas ruas, nas redes sociais e nos aplicativos de mensagens, cresce também a circulação de conteúdos falsos, manipulados ou irregulares.

Mas, diante de uma possível “fake news”, surge uma dúvida comum: a denúncia deve ser feita no SIADE ou no Pardal?

A resposta é simples: depende do tipo de irregularidade.

O Pardal é o canal mais conhecido para denúncias de propaganda eleitoral irregular. Já o SIADE — Sistema de Alertas de Desinformação Eleitoral — é voltado a conteúdos falsos ou enganosos capazes de atingir a integridade do processo eleitoral.

Saber essa diferença evita encaminhamentos equivocados e ajuda a Justiça Eleitoral a receber a informação pelo canal adequado.

Fake news sobre a eleição? Conheça o SIADE

O SIADE é o canal da Justiça Eleitoral destinado ao recebimento de alertas sobre desinformação que possa afetar a integridade das eleições.

Em linguagem simples, é o instrumento indicado quando a mentira ou manipulação pretende confundir o cidadão sobre como a eleição funciona.

É o caso, por exemplo, de conteúdos falsos sobre:

  • urnas eletrônicas;
  • data ou horário da votação;
  • locais de votação;
  • documentos necessários para votar;
  • apuração e totalização dos votos;
  • segurança dos sistemas eleitorais;
  • funcionamento da Justiça Eleitoral;
  • informações destinadas a impedir, dificultar ou desestimular o exercício do voto.

Imagine uma mensagem afirmando falsamente que a votação foi adiada.

Ou um vídeo dizendo que determinada urna altera votos automaticamente.

Ou ainda uma publicação informando, sem ser verdade, que um grupo de eleitores perdeu o direito de votar.

Nessas situações, a desinformação não atinge apenas uma candidatura. Ela pode comprometer a confiança do eleitor e o próprio exercício do voto.

Esse é o campo do SIADE.

Como acessar o SIADE

Uma das vantagens do SIADE é que não é necessário baixar aplicativo.

O sistema pode ser acessado diretamente pela internet, no site oficial do Tribunal Superior Eleitoral.

O cidadão escolhe o tipo de ocorrência, informa os dados disponíveis e registra o alerta.

Sempre que possível, é importante apresentar o link da publicação e outros elementos que ajudem na análise do conteúdo.

🚨 SIADE

Para quê serve?
Para alertar sobre desinformação que possa afetar a integridade das eleições.

Precisa instalar aplicativo?
Não.

Onde acessar?
No site oficial do TSE, pelo Sistema de Alertas de Desinformação Eleitoral.

E o Pardal?

O Pardal Móvel tem outra finalidade.

Ele é a ferramenta da Justiça Eleitoral destinada ao recebimento de denúncias sobre possíveis irregularidades na propaganda eleitoral.

Nas Eleições 2026, o aplicativo está disponível desde 16 de agosto, data de início da propaganda eleitoral.

Por meio dele, o cidadão pode relatar a situação e anexar elementos como fotos, vídeos, áudios e endereços eletrônicos.

O acesso é feito mediante identificação pelo e-Título ou pela plataforma Gov.br, e a identidade do denunciante permanece protegida por sigilo.

Após o envio, o sistema gera um número de protocolo para acompanhamento.

📱 PARDAL

Para quê serve?
Para denunciar possível propaganda eleitoral irregular.

Onde baixar?
Na Google Play, para aparelhos Android, e na App Store, para iPhone

Como acessar?
Com e-Título ou Gov.br.

A Justiça Eleitoral também pode direcionar o usuário para outros canais quando perceber que o fato relatado não está dentro do campo do Pardal. Entre esses canais está justamente o SIADE.

Então toda fake news vai para o SIADE?

Não.

Esse é um ponto importante.

A expressão “fake news” é usada hoje para situações muito diferentes. Nem toda informação falsa, crítica ou publicação negativa contra uma candidatura é automaticamente caso de SIADE.

Se a mentira atinge as urnas, a votação, a apuração ou a confiança no processo eleitoral, o caminho é o SIADE.

Mas se o problema estiver relacionado à forma como uma propaganda eleitoral está sendo realizada, o canal pode ser o Pardal.

Também podem existir situações envolvendo candidata, candidato ou partido que dependam de medida judicial específica, como representação eleitoral ou pedido de direito de resposta.

Por isso, a pergunta correta não é apenas:

“Isso é fake news?”

A pergunta deve ser:

“Essa informação falsa atinge a integridade da eleição ou está relacionada a uma propaganda eleitoral irregular?”

A diferença em uma frase

Para não errar:

Fake news sobre urnas, votação, apuração ou funcionamento das eleições: SIADE.

Propaganda eleitoral irregular, inclusive na internet: Pardal.

Fake news contra candidato ou partido: depende do conteúdo e da irregularidade; não é automaticamente caso de SIADE.

Antes de denunciar, preserve as informações

Conteúdos publicados na internet podem ser apagados, modificados ou retirados de contexto rapidamente.

Por isso, antes de fazer uma denúncia ou alerta, é importante guardar o máximo possível de informações.

Preserve:

  • o link da publicação;
  • o nome do perfil responsável;
  • a data e o horário;
  • fotos ou capturas de tela;
  • vídeos e áudios;
  • o contexto em que o conteúdo foi publicado.

Capturas de tela ajudam, mas o link e o contexto são especialmente importantes para permitir uma análise mais completa.

Inteligência artificial exige atenção redobrada

Em 2026, o risco de desinformação aumenta com o uso de inteligência artificial.

Hoje é possível criar imagens, áudios e vídeos muito convincentes.

Uma pessoa pode parecer dizer algo que nunca disse.

Uma voz pode ser artificialmente reproduzida.

Uma cena inexistente pode ser apresentada como verdadeira.

Por isso, diante de conteúdos eleitorais surpreendentes ou sensacionalistas, a orientação é simples:

não compartilhe primeiro para conferir depois.

Verifique a fonte.

Procure informações oficiais.

E, quando o conteúdo falso ou manipulado puder comprometer a integridade das eleições, utilize o SIADE.

O cidadão e a cidadã também participam da fiscalização

O combate à propaganda irregular e à desinformação não depende apenas dos tribunais.

O cidadão também pode colaborar.

O Pardal já é conhecido como ferramenta de fiscalização da propaganda eleitoral. O SIADE precisa ser igualmente conhecido como canal para alertar a Justiça Eleitoral sobre conteúdos falsos ou enganosos que possam comprometer o processo eleitoral.

Nas Eleições 2026, vale guardar três orientações:

  • Antes de compartilhar, verifique.
  • Propaganda irregular? Pardal.
  • Desinformação sobre urnas, votação, apuração ou integridade das eleições? SIADE.

Informação responsável também ajuda a proteger o voto.